Você trata DPOC da mesma forma há anos? Talvez esteja na hora de atualizar a abordagem
jun
2025
A DPOC é uma doença complexa, progressiva e heterogênea, cuja abordagem terapêutica vem sendo amplamente revisada nos últimos anos.
Ainda assim, é comum encontrar condutas inalteradas por longos períodos, baseadas em protocolos desatualizados ou em estratégias que não consideram os avanços descritos nas últimas diretrizes, como o GOLD 2025.
Se você trata DPOC da mesma forma há anos, é possível que esteja deixando de oferecer aos seus pacientes alternativas mais eficazes para controle de sintomas, prevenção de exacerbações e melhora da qualidade de vida.

DPOC: novos tempos, novos paradigmas
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por obstrução ao fluxo aéreo não totalmente reversível, associada à resposta inflamatória crônica às partículas nocivas ou gases inalados, especialmente o tabaco.
O tratamento adequado deve ser escalonado conforme sintomas e risco de exacerbações e não apenas com base em espirometria.
O que mudou nos últimos anos?
- Nova classificação baseada em sintomas e histórico de exacerbações (ABCD → ABE)
- Reavaliação do papel dos corticoides inalatórios (CI)
- Uso de eosinofilia periférica como biomarcador
- Estratégias personalizadas conforme fenótipo clínico
- Ênfase na reabilitação pulmonar e intervenções não farmacológicas
Se o seu protocolo ainda é baseado apenas em VEF1 e broncodilatadores de curta duração, a abordagem da DPOC precisa ser revista.
Por que a DPOC deve ser tratada de forma personalizada?
A heterogeneidade da DPOC torna ineficaz a aplicação de uma mesma estratégia terapêutica para todos os pacientes. Existem diferentes fenótipos clínicos, níveis de inflamação, comorbidades e riscos distintos de exacerbação.
Personalizar é essencial quando o paciente:
- Tem sintomas persistentes mesmo em uso de LAMA ou LABA
- Possui histórico de ≥ 2 exacerbações/ano ou ≥ 1 hospitalização
- Apresenta eosinofilia periférica ≥ 300 células/μL
- Tem comorbidades importantes (cardiovasculares, metabólicas, ansiedade)
Cada uma dessas variáveis interfere na escolha do tratamento e no seguimento adequado do paciente com DPOC.
Broncodilatadores de ação prolongada: base do tratamento atual
A associação de LAMA (antimuscarínico de longa ação) e LABA (beta2-agonista de longa ação) é a espinha dorsal do tratamento da DPOC em pacientes sintomáticos.
Estudos demonstram que essa combinação oferece maior eficácia do que o uso isolado de qualquer um deles.
Benefícios da associação LAMA + LABA:
- Redução de exacerbações
- Melhora significativa na dispneia
- Aumento da tolerância ao exercício
- Redução do uso de SABA de resgate
- Melhora da função pulmonar e da qualidade de vida
Se o seu paciente com DPOC permanece com sintomas utilizando apenas monoterapia, é hora de considerar essa associação como primeira escolha.
Uso racional dos corticoides inalatórios (CI)
Durante anos, os CI foram usados indiscriminadamente no tratamento da DPOC, o que aumentou o risco de pneumonia e outros efeitos colaterais. Hoje, seu uso é mais restrito e guiado pela contagem de eosinófilos no sangue periférico.
Indicações mais adequadas para CI:
- Eosinófilos ≥ 300 células/μL → benefício esperado
- Eosinófilos entre 100–300 células/μL + histórico de exacerbações
- Evitar em eosinófilos < 100 células/μL (maior risco que benefício)
Utilizar a eosinofilia como biomarcador é um dos maiores avanços das diretrizes recentes e ainda pouco aplicado na prática clínica diária.
Exacerbações recorrentes: um sinal de alarme
As exacerbações não são apenas eventos pontuais. Cada episódio acelera o declínio da função pulmonar, aumenta o risco de hospitalizações e está associado a maior mortalidade. Reduzir esses eventos é um dos principais objetivos no tratamento da DPOC.
Quando investigar falha terapêutica?
- ≥ 2 exacerbações ambulatoriais por ano
- ≥ 1 internação por agudização
- Uso recorrente de corticoide sistêmico
- Dispneia persistente, mesmo com uso correto de inaladores
- Técnica inalatória inadequada ou adesão precária
Nesses casos, é necessário reavaliar o dispositivo, ajustar o esquema farmacológico, considerar reabilitação pulmonar e revisar a educação do paciente.
Reabilitação pulmonar: ainda subutilizada
Apesar de ter forte respaldo científico, a reabilitação pulmonar continua sendo pouco acessada por pacientes com DPOC. Trata-se de uma das intervenções não farmacológicas com maior impacto na qualidade de vida, funcionalidade e redução de exacerbações.
O que ela oferece?
- Treinamento físico supervisionado
- Educação em saúde
- Apoio psicológico
- Otimização do uso de dispositivos
- Estratégias para reduzir dispneia e aumentar capacidade funcional
Idealmente, deve ser indicada após exacerbações e como parte do plano de manejo de longo prazo.
Cuidado contínuo e plano de ação escrito
Pacientes com DPOC devem ter seguimento regular e plano de ação estruturado, que inclua orientações para uso de medicamentos de resgate, medidas de prevenção e reconhecimento precoce de sinais de agravamento.
Elementos de um bom plano:
- Instruções claras sobre quando procurar atendimento
- Reforço de vacinação (influenza, COVID-19, pneumococo)
- Apoio para cessação do tabagismo
- Revisão periódica da técnica inalatória
- Acompanhamento de comorbidades (cardiovasculares, metabólicas, osteoporose)
A atuação preventiva é fundamental para reduzir hospitalizações e custos do sistema de saúde.
Como o Bioplanner pode apoiar sua prática clínica?
O Bioplanner é uma ferramenta desenvolvida para facilitar a tomada de decisão médica com base nas melhores diretrizes, como o GOLD 2025. No manejo da DPOC, ele oferece:
- Organização de condutas conforme gravidade e histórico de exacerbações
- Apoio na escolha e associação de medicamentos
- Registro clínico automatizado com geração de relatórios
- Orientações baseadas em dados clínicos e biomarcadores
- Educação para o paciente por meio de assistente virtual
Com o Bioplanner, atualizar sua abordagem fica mais prático, seguro e padronizado.
Conclusão: tratar DPOC como antes já não é suficiente
Se você trata DPOC da mesma forma há anos, está na hora de reavaliar. As diretrizes mudaram, os medicamentos evoluíram e o entendimento da doença se aprofundou. Hoje, o cuidado com a DPOC precisa ser mais personalizado, baseado em evidências e com acompanhamento contínuo.
Revisar sua prática clínica pode fazer a diferença entre um paciente sintomático e um paciente com vida ativa, funcional e bem controlada.
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