Seu paciente com DPOC teve mais uma exacerbação? Talvez o tratamento esteja insuficiente

26
jun
2025

As exacerbações frequentes representam um dos maiores desafios no manejo da DPOC. Quando um paciente tem crises repetidas, mesmo em tratamento, é sinal de que a abordagem atual pode estar inadequada, seja pela escolha terapêutica, pela adesão ou pela ausência de intervenções não farmacológicas complementares.

Entender as causas das exacerbações e como elas afetam a progressão da DPOC é essencial para rever o plano terapêutico e evitar hospitalizações, perda de função pulmonar e mortalidade precoce.

DPOC: mais do que uma obstrução ao fluxo aéreo

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição progressiva, caracterizada por obstrução ao fluxo aéreo não totalmente reversível. 

Ela envolve inflamação crônica, destruição alveolar (enfisema), bronquite crônica e, em muitos casos, hipersecreção de muco.

Exacerbações aceleram a perda funcional

Cada episódio de exacerbação da DPOC, especialmente aqueles que requerem internação, acelera o declínio do VEF1, compromete a qualidade de vida e aumenta o risco de óbito. Segundo o relatório GOLD 2025, prevenir crises deve ser um dos principais objetivos do tratamento.

O que caracteriza uma exacerbação na DPOC?

Exacerbação é definida como um agravamento agudo dos sintomas respiratórios que exige mudança na medicação habitual. Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Aumento da dispneia
  • Piora da tosse e da expectoração
  • Alteração na coloração do escarro
  • Sensação de chiado ou aperto torácico
  • Fadiga, febre ou queda na saturação

Mesmo pacientes classificados como GOLD B ou C podem evoluir com exacerbações, o que deve acender um alerta para reavaliação do tratamento da DPOC.

Tratamento atual da DPOC: o que pode estar falhando?

O manejo da DPOC segue uma abordagem escalonada baseada em sintomas, risco de exacerbações e função pulmonar. Porém, na prática, muitos pacientes seguem com tratamento subótimo.

Possíveis falhas comuns

  • Uso isolado de broncodilatador de curta duração como terapia principal
  • Subutilização de LAMA/LABA em pacientes sintomáticos
  • Falta de indicação ou uso incorreto de corticoides inalatórios
  • Baixa adesão por dificuldades com dispositivos
  • Ausência de reavaliação periódica da resposta clínica

É fundamental revisar a prescrição e a técnica inalatória regularmente e adaptar o tratamento com base na resposta e no histórico de exacerbações.

Quando considerar escalonamento no tratamento da DPOC?

A diretriz GOLD 2025 recomenda considerar o histórico de exacerbações nos últimos 12 meses e o escore de sintomas (CAT ou mMRC) para indicar o escalonamento terapêutico.

Indicativos de que o tratamento está insuficiente:

  • Duas ou mais exacerbações leves no último ano
  • Uma ou mais exacerbações graves que exigiram hospitalização
  • CAT > 10 ou mMRC ≥ 2
  • Necessidade frequente de corticoide sistêmico
  • Redução significativa da função pulmonar

Nesses casos, a associação de broncodilatadores de longa ação (LAMA + LABA) deve ser considerada. Em alguns perfis, o uso de corticosteroide inalatório pode ser mantido ou introduzido, dependendo da eosinofilia periférica.

O papel da eosinofilia na personalização do tratamento

A contagem de eosinófilos no sangue periférico vem ganhando espaço como biomarcador para indicar a resposta ao uso de corticosteroide inalatório (CI) em pacientes com DPOC.

H3: Quando o CI pode ser benéfico?

  • Eosinófilos ≥ 300 células/μL: alta chance de resposta ao CI
  • Eosinófilos entre 100 e 300 células/μL: considerar caso a caso
  • Eosinófilos < 100 células/μL: evitar CI devido ao risco de pneumonia

A personalização do tratamento com base nesse marcador é uma tendência respaldada pela literatura recente e pode reduzir significativamente as exacerbações.

Atenção às comorbidades e fatores de risco adicionais

O manejo da DPOC exige abordagem multidimensional. Comorbidades como insuficiência cardíaca, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, depressão e desnutrição influenciam diretamente no controle da doença.

Outros fatores de risco para crises recorrentes:

  • Tabagismo ativo
  • Poluição ambiental
  • Infecções respiratórias de repetição
  • Falta de vacinação (influenza, pneumococo, COVID-19)

O plano terapêutico deve incluir educação do paciente, vacinação anual e cessação do tabagismo com suporte medicamentoso e psicológico.

A reabilitação pulmonar ainda é subutilizada

A reabilitação pulmonar é uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para pacientes com DPOC, mas continua sendo negligenciada em muitas realidades clínicas.

Benefícios comprovados:

  • Melhora da dispneia e tolerância ao exercício
  • Redução de hospitalizações
  • Aumento da qualidade de vida e bem-estar psicológico

Sempre que possível, o médico deve encaminhar o paciente para programas formais de reabilitação, especialmente após uma exacerbação grave.

Como o Bioplanner pode apoiar no manejo da DPOC?

A plataforma Bioplanner auxilia o médico na organização da conduta terapêutica com base em diretrizes atualizadas. Entre os recursos disponíveis:

  • Sugestões de tratamento conforme escore de sintomas e histórico de exacerbações
  • Geração de relatórios clínicos e prescrição estruturada
  • Apoio na solicitação de medicamentos e documentação
  • Suporte para personalização da conduta com base em biomarcadores

Essas ferramentas otimizam o atendimento, padronizam a abordagem e ajudam a reduzir falhas de tratamento.

Conclusão: exacerbação é sinal de alerta

Se o seu paciente com DPOC teve mais uma exacerbação, isso deve ser interpretado como um marco clínico importante. A persistência de crises não é “esperada” na evolução natural da doença, é, na verdade, um indicativo de que o tratamento está insuficiente.

Rever a conduta, personalizar o plano terapêutico e integrar intervenções farmacológicas e não farmacológicas é o caminho para melhorar o prognóstico e oferecer mais qualidade de vida ao paciente.Com o apoio do Bioplanner, esse processo se torna mais ágil, seguro e baseado em evidências. Acesse a plataforma e organize sua conduta em DPOC com apoio técnico.

Cadastre-se agora

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.