Seu paciente com asma continua com sintomas? Pode ser hora de rever o plano terapêutico
jun
2025
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores que, mesmo com tratamento, pode permanecer sintomática se o manejo não estiver devidamente ajustado.
Se o plano terapêutico não for revisado com regularidade, o risco de exacerbações, hospitalizações e perda da função pulmonar aumenta significativamente.
Reavaliar condutas, ajustar medicamentos e reforçar a adesão do paciente são passos essenciais para um tratamento de sucesso. Entenda a seguir como identificar os sinais de descontrole da asma e as melhores práticas para otimizar o plano terapêutico.

Por que muitos pacientes continuam sintomáticos?
Mesmo com amplo acesso a guidelines e medicamentos, estima-se que apenas cerca de 12% dos pacientes com asma no Brasil tenham a doença efetivamente controlada.
Os motivos são múltiplos: falhas na adesão, técnica inalatória inadequada, subestimação de sintomas, exposição a gatilhos ambientais e ausência de revisão periódica do plano terapêutico.
Além disso, parte dos pacientes classificados como asmáticos controlados apresenta, na prática, uma limitação funcional persistente ou risco elevado de exacerbações, o que justifica uma abordagem mais cuidadosa na revisão do tratamento.
Como identificar que a asma está mal controlada?
A avaliação do controle da asma deve ser feita de forma objetiva, com base em critérios clínicos e funcionais.
O questionário GINA e o ACT (Asthma Control Test) são ferramentas práticas e validadas para essa análise.
Critérios clínicos de má resposta ao tratamento incluem:
- Sintomas diurnos > 2x/semana
- Despertares noturnos por sintomas
- Necessidade frequente de broncodilatador de resgate
- Limitação para atividades físicas
- Uma ou mais exacerbações no último ano
Se um ou mais desses critérios estiverem presentes, é hora de rever o plano terapêutico.
Plano terapêutico: como construir e ajustar de forma eficaz
O plano terapêutico ideal deve ser individualizado e baseado em três pilares:
1. Classificação da gravidade da asma
A gravidade da asma é determinada retrospectivamente, com base na dose de medicamento necessária para manter o controle.
O tratamento é escalonado de acordo com as diretrizes GINA/SBPT em cinco etapas, que vão desde a monoterapia com CI em baixa dose até imunobiológicos.
2. Avaliação da resposta ao tratamento atual
Pacientes que não atingem os objetivos de controle clínico e funcional devem ter seu regime revisto. Isso inclui verificar:
- Técnica inalatória correta
- Frequência de uso de SABA
- Adesão ao tratamento diário
- Exposição a fatores agravantes (alérgenos, tabaco, ocupacional)
3. Educação do paciente e plano de ação escrito
O uso de um plano terapêutico estruturado, com orientações por escrito, melhora significativamente a adesão e o manejo das crises. Isso inclui:
- Definir metas claras de controle
- Ensinar técnica inalatória
- Especificar medidas de resgate e alerta
- Programar revisões regulares
Quando escalar o tratamento da asma?
A necessidade de escalonamento deve ser baseada em evidências de má resposta, e não apenas na presença de sintomas isolados.
Indicações clássicas para subir uma etapa no tratamento
- Uso de broncodilatador mais de 3x por semana
- Despertares noturnos frequentes
- Necessidade de corticoide oral nos últimos 6 meses
- Presença de comorbidades mal controladas (rinite, DPOC, refluxo)
Em muitos casos, o ajuste precoce do plano terapêutico pode evitar o agravamento clínico e a necessidade de intervenções mais agressivas no futuro.
E quando considerar imunobiológicos?
Pacientes com asma grave não controlada devem ser avaliados para o uso de imunobiológicos, como omalizumabe ou mepolizumabe, disponíveis no SUS. Os critérios incluem:
- Asma moderada a grave persistente
- Uso de altas doses de CI + LABA
- Presença de eosinofilia periférica ou IgE elevada
- Sintomas persistentes mesmo com tratamento otimizado
O acesso a essas terapias exige documentação adequada e avaliação rigorosa da elegibilidade, o que pode ser facilitado com o uso de ferramentas como o Bioplanner.
O papel da função pulmonar na reavaliação clínica
A espirometria continua sendo um recurso essencial para monitorar a asma. A avaliação do VEF1, antes e após broncodilatador, ajuda a quantificar a limitação do fluxo aéreo e a resposta ao tratamento.
Além disso, o PFE (Pico de Fluxo Expiratório) diário pode ser um excelente indicador de variabilidade e de controle no domicílio, especialmente em pacientes com baixa percepção de sintomas.
Casos especiais: gestantes, idosos e crianças
Em cada fase da vida, o plano terapêutico da asma deve ser ajustado:
- Gestantes: manter o uso de CI + SABA ou CI + LABA, evitando exacerbações
- Idosos: atenção ao uso correto de dispositivos e à presença de comorbidades cardiovasculares
- Crianças: priorizar corticoide inalatório e considerar diagnóstico diferencial com sibilância viral transitória
Como o Bioplanner pode ajudar?
A plataforma Bioplanner apoia o médico na estruturação do plano terapêutico da asma, oferecendo:
- Sugestões de conduta baseadas em diretrizes atualizadas
- Geração automática de LME e documentos
- Apoio na escolha de imunobiológicos conforme elegibilidade
- Histórico clínico organizado para cada paciente
Além disso, a integração com a assistente virtual Kira facilita o acompanhamento longitudinal dos pacientes, otimizando a comunicação e reduzindo perdas de seguimento.
Conclusão: rever o plano terapêutico é parte da boa prática
A asma é uma condição dinâmica, que exige acompanhamento contínuo e flexibilidade no tratamento. Um plano terapêutico bem estruturado pode fazer a diferença entre o controle e a exacerbação.O papel do médico é central nesse processo, da escuta ativa à prescrição segura e ajustada. E com o suporte do Bioplanner, essa jornada pode ser mais fluida, segura e alinhada com as melhores evidências clínicas.
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