Seu paciente com asma continua com sintomas? Pode ser hora de rever o plano terapêutico

24
jun
2025

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores que, mesmo com tratamento, pode permanecer sintomática se o manejo não estiver devidamente ajustado. 

Se o plano terapêutico não for revisado com regularidade, o risco de exacerbações, hospitalizações e perda da função pulmonar aumenta significativamente.

Reavaliar condutas, ajustar medicamentos e reforçar a adesão do paciente são passos essenciais para um tratamento de sucesso. Entenda a seguir como identificar os sinais de descontrole da asma e as melhores práticas para otimizar o plano terapêutico.

paciente fazendo nebulização

Por que muitos pacientes continuam sintomáticos?

Mesmo com amplo acesso a guidelines e medicamentos, estima-se que apenas cerca de 12% dos pacientes com asma no Brasil tenham a doença efetivamente controlada. 

Os motivos são múltiplos: falhas na adesão, técnica inalatória inadequada, subestimação de sintomas, exposição a gatilhos ambientais e ausência de revisão periódica do plano terapêutico.

Além disso, parte dos pacientes classificados como asmáticos controlados apresenta, na prática, uma limitação funcional persistente ou risco elevado de exacerbações, o que justifica uma abordagem mais cuidadosa na revisão do tratamento.

Como identificar que a asma está mal controlada?

A avaliação do controle da asma deve ser feita de forma objetiva, com base em critérios clínicos e funcionais. 

O questionário GINA e o ACT (Asthma Control Test) são ferramentas práticas e validadas para essa análise.

Critérios clínicos de má resposta ao tratamento incluem:

  • Sintomas diurnos > 2x/semana
  • Despertares noturnos por sintomas
  • Necessidade frequente de broncodilatador de resgate
  • Limitação para atividades físicas
  • Uma ou mais exacerbações no último ano

Se um ou mais desses critérios estiverem presentes, é hora de rever o plano terapêutico.

Plano terapêutico: como construir e ajustar de forma eficaz

O plano terapêutico ideal deve ser individualizado e baseado em três pilares:

1. Classificação da gravidade da asma

A gravidade da asma é determinada retrospectivamente, com base na dose de medicamento necessária para manter o controle. 

O tratamento é escalonado de acordo com as diretrizes GINA/SBPT em cinco etapas, que vão desde a monoterapia com CI em baixa dose até imunobiológicos.

2. Avaliação da resposta ao tratamento atual

Pacientes que não atingem os objetivos de controle clínico e funcional devem ter seu regime revisto. Isso inclui verificar:

  • Técnica inalatória correta
  • Frequência de uso de SABA
  • Adesão ao tratamento diário
  • Exposição a fatores agravantes (alérgenos, tabaco, ocupacional)

3. Educação do paciente e plano de ação escrito

O uso de um plano terapêutico estruturado, com orientações por escrito, melhora significativamente a adesão e o manejo das crises. Isso inclui:

  • Definir metas claras de controle
  • Ensinar técnica inalatória
  • Especificar medidas de resgate e alerta
  • Programar revisões regulares

Quando escalar o tratamento da asma?

A necessidade de escalonamento deve ser baseada em evidências de má resposta, e não apenas na presença de sintomas isolados.

Indicações clássicas para subir uma etapa no tratamento

  • Uso de broncodilatador mais de 3x por semana
  • Despertares noturnos frequentes
  • Necessidade de corticoide oral nos últimos 6 meses
  • Presença de comorbidades mal controladas (rinite, DPOC, refluxo)

Em muitos casos, o ajuste precoce do plano terapêutico pode evitar o agravamento clínico e a necessidade de intervenções mais agressivas no futuro.

E quando considerar imunobiológicos?

Pacientes com asma grave não controlada devem ser avaliados para o uso de imunobiológicos, como omalizumabe ou mepolizumabe, disponíveis no SUS. Os critérios incluem:

  • Asma moderada a grave persistente
  • Uso de altas doses de CI + LABA
  • Presença de eosinofilia periférica ou IgE elevada
  • Sintomas persistentes mesmo com tratamento otimizado

O acesso a essas terapias exige documentação adequada e avaliação rigorosa da elegibilidade, o que pode ser facilitado com o uso de ferramentas como o Bioplanner.

O papel da função pulmonar na reavaliação clínica

A espirometria continua sendo um recurso essencial para monitorar a asma. A avaliação do VEF1, antes e após broncodilatador, ajuda a quantificar a limitação do fluxo aéreo e a resposta ao tratamento.

Além disso, o PFE (Pico de Fluxo Expiratório) diário pode ser um excelente indicador de variabilidade e de controle no domicílio, especialmente em pacientes com baixa percepção de sintomas.

Casos especiais: gestantes, idosos e crianças

Em cada fase da vida, o plano terapêutico da asma deve ser ajustado:

  • Gestantes: manter o uso de CI + SABA ou CI + LABA, evitando exacerbações
  • Idosos: atenção ao uso correto de dispositivos e à presença de comorbidades cardiovasculares
  • Crianças: priorizar corticoide inalatório e considerar diagnóstico diferencial com sibilância viral transitória

Como o Bioplanner pode ajudar?

A plataforma Bioplanner apoia o médico na estruturação do plano terapêutico da asma, oferecendo:

  • Sugestões de conduta baseadas em diretrizes atualizadas
  • Geração automática de LME e documentos
  • Apoio na escolha de imunobiológicos conforme elegibilidade
  • Histórico clínico organizado para cada paciente

Além disso, a integração com a assistente virtual Kira facilita o acompanhamento longitudinal dos pacientes, otimizando a comunicação e reduzindo perdas de seguimento.

Conclusão: rever o plano terapêutico é parte da boa prática

A asma é uma condição dinâmica, que exige acompanhamento contínuo e flexibilidade no tratamento. Um plano terapêutico bem estruturado pode fazer a diferença entre o controle e a exacerbação.O papel do médico é central nesse processo, da escuta ativa à prescrição segura e ajustada. E com o suporte do Bioplanner, essa jornada pode ser mais fluida, segura e alinhada com as melhores evidências clínicas.

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